As coisas não iam se ajeitar por causa disso. Aliás, nada ia se ajeitar por causa disso. Só um sorriso. Um sorriso minúsculo. Uma folhinha em um bosque, balançando com o movimento de um pássaro que alça vôo.
Mas me agarrei àquilo. Com os braços bem abertos. Porque, quando chega a primavera, a neve vai derramando floco a floco, e talvez eu tivesse simplesmente testemunhado o primeiro floco que se derreteria.
(O Caçador de Pipas. Khaled Hosseini)
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O que é amor pra você?
- Então Charlie Brow, o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
... Acho que isso é amor.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir.
... Acho que isso é amor.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Dilacera, mas passa.
Chorei. Assim como vinha deixando que o berreiro se fizesse vivo, dei início à sessão das lágrimas no sofá, ao olhar algumas fotos, já velhas e por mim cuidadas, e a tarde de sentimentos estranhos e intrínsecos. Bem verdade que vinha me emocionando com facilidade, e sem motivo aparente. Com reportagens banais, e músicas melancólicas. Nos livros que tenho lido, e no escuro, sozinha e imersa na minha tristeza que nem ao menos consigo compreender. Com soluços. Sem pausas. Extirpando toda essa dor que vem, e não passa, e quando vira felicidade, de tão aguda, se torna insuportável. Quase um sentimento hemofílico, que não estabiliza nunca: quando começa a cicatrizar, não processa bem; é ferida aberta, cutucada.
Mais uma vez, solitária no mundo, sentada sem vista pra rua, com essa incompreensão no peito e uma angústia que não desgruda de vez. Enquanto todos me dizem que preciso ser forte, que o silêncio é arma, a indiferença é o que mata, e viver é preciso, meu único pensamento é em comprar passagens aéreas e sumir pelo mundo. Deliberar sem mais recados, fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas, o medo nojento que os outros têm de dar amor, e receber também em troca. A falta de 'vergonha na cara'. Ou talvez, a tão esperada ilusão. E, principalmente, essa coisa voraz que muitas pessoas se submetem a novas experiências, e a perdem: a maldita consideração; ou melhor, a tão temida por mim, falta da mesma.
Mais uma vez, solitária no mundo, sentada sem vista pra rua, com essa incompreensão no peito e uma angústia que não desgruda de vez. Enquanto todos me dizem que preciso ser forte, que o silêncio é arma, a indiferença é o que mata, e viver é preciso, meu único pensamento é em comprar passagens aéreas e sumir pelo mundo. Deliberar sem mais recados, fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas, o medo nojento que os outros têm de dar amor, e receber também em troca. A falta de 'vergonha na cara'. Ou talvez, a tão esperada ilusão. E, principalmente, essa coisa voraz que muitas pessoas se submetem a novas experiências, e a perdem: a maldita consideração; ou melhor, a tão temida por mim, falta da mesma.
Nos dias de hoje, não se tem mais em quem confiar. Confia-se em uma pessoa, lhe entrega seu coração, através de seus maiores segredos. Os cadeados por mim, em chave de Rubi. Troca-lhe um dos sentimentos mais bonitos e mais precisos: a amizade. E, depois de anos da mesma. Ou melhor, do que pensávamos que era. Por motivos não tão grandes a meu ver, mas que quando acontecem, destroem sem percepção, um coisas que durou anos. Uma coisa que muitos acreditavam; não durar pra sempre; mas enquanto uma precisa-se da outra. Engano seu. Ninguém mais precisa de ninguém. Tem-se o tal líder, que líder só tem o nome. E falta-se, a consideração.
Aquela mesma que você já deixou de ter, aquela mesma que você esnobou alguém por não demonstra-lá, ou; no dizer; aquela mesma que você falho. Aqui, comigo.
Como já dizia Sílvia Somenzi: " a consideração é uma espécie de reconhecimento; entre outras palavras." E assim a fez, vagamente. Quando você convive durante anos com uma pessoa, lhe conta segredos; muitos deles revelados, e pouco valor lhes dão. A pessoa, por mais erro que tenha cometido. Ou não. A 'prejudicada' em questão, deve-se relegar os fatos. Entender que 3 meses a mais, 8 meses a mais, 4 anos a mais; são de grande valia. Muitas destas pessoas, esquecem do quanto já fizeram por ela. Esquecem de agradecer, e o pior: reconhecer. UMA PUTA FALTA DE CONSIDERAÇÃO, se me permitem o vocabulário!
Fica difícil assim me focar em mim de imediato, em tudo que sinto, em curar a cada dia toda essa peste que me tomou o alma, e embeveceu a vivacidade que eu carreguei, até aqui: só se vê os defeitos, aquilo que precisa ser melhorado, e expectativas tão longínquas, que não satisfazem, e sim, enlouquecem. Só quando sozinha é que me deixo ficar meio down, e coloco o dedo na ferida. Escuto músicas sofríveis, e leio melancolias. Dói, mas passa. E esse desespero de me verem assim na fossa, mal à beça? Calma, que preciso escancarar essa dor até o final, que ela é só minha, e libertar o peito, a alma, o cuore. Tirar talvez um ódio de onde não consigo, e de quem não tenho, mesmo que passageiro, para que eu sobreponha no local onde ainda há quase tudo o que sinto, e que precisa ser esvaziado, pouco a pouco. Sair desse poço, largar de vez o osso, desses restos que não alimentam, e sim, atrofiam o que de belo existia, e se queria profundamente. Porque ainda é outubro, e está por frente o verão; que por mais pesar que me traga o fato deste calor infernal percorrendo minhas veias e artérias por meses, incansáveis meses; me trará novas e irradiantes oportunidades, que não hesitarei em torná-las possíveis, e logo mais, chegará a primavera novamente; que me deixa cortar e voltar sempre inteira. Terá passado tanto tempo, que as respostas chegarão sem medo e nem culpa, e voltarei a ser inteira como fui até certo tempo. Sem voltas comemoradas, e inexplicáveis. Sem apagar do caderno, mas riscar por cima o nome; ter astúcia suficiente de virar mais essa página pesarosa Sem mais chances, que depois da segunda, a terceira não tem argumentos para vingar. É topando em pedras, que vislumbramos com mais atenção as flores que nascem, as gotas de orvalho da grama, a raiz de tudo. Desde os sentimentos mais profundos, profanos, ao mundo.
Ah, existe dedicatória sim. Mesmo que, está pessoa, não valha meu tempo perdido. :)
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A era.
Estamos na era do fast-food e da digestão lenta, do homem grande de caráter pequeno, lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Você tem um cigarro?
- Eu estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas, eu queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu.
(Caio F. Abreu)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Sempre assim.
Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: ‘eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também’. No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração ‘tribalista’ se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição. A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu. Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo - beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra, etc, etc, etc. Desconhece a delícia de assistir um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor. Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter ‘alguém para amar’. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Acredito em tudo, porque convicção é a nossa força.
Eu ainda acredito em fadas, em criaturas estranhas, em pessoas invisíveis ao meu redor. Continuo a acreditar em animais falantes, e tudo que as pessoas julgam que não é real. Continuo a acreditar em sonhos, também os que normalmente não podem ser atingidos. Eu ainda acredito nas coisas bonitas e de beleza que não quer algo em troca. Eu ainda acredito na esperança, e eu continuo a acreditar no destino. Acredito que se algo tem de acontecer, vai acontecer de qualquer forma. Eu ainda acredito em momentos felizes, que raramente aparecem. E continuo a acreditar que o tempo vai consertar as coisas.
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